Da existência do cultivo da ignorância.

Atualizado: 10 de jul.

Se eu demonstrar que as mudanças educacionais de 1940, que as mudanças de 1960 foram desenvolvidas, apesar da distância de três décadas, com o mesmo intuito vanguardista...

 

Por Mariana Schurr

Revisado por: Alceu Takao, Alessandro Cabral, Inda Sousa, Marcus Salomão, Mariana Lessa, Ruth Souza.

Se eu demonstrar que as mudanças educacionais de 1940, que as mudanças de 1960 foram desenvolvidas, apesar da distância de três décadas, com o mesmo intuito vanguardista, que restringiram o acesso a alguns conteúdos, que modificaram as mesmas disciplinas, que buscaram emburrecer a população de maneira drástica, que impuseram uma “nova maneira” de estudar a língua portuguesa, que foram incentivadas pela visão fanática e revolucionária contra tudo que lembrava a tradição e as virtudes, os arquétipos, os conteúdos que eles queriam remover ou substituir – se eu demonstrasse tudo isso, não conseguiríamos nós criar um novo sistema de ensino pautado na verdade e coerência? E, se assim for, como continuar compactuando com ensinamentos baseados em resultados, meras construções de provas superficiais, em temáticas ideológicas, em aulas improvisadas, em instrumentos subversivos a serviço da ideologia partidária?


A despeito do que Theodore W. Schultz tenha dito¹, proponho-me a fazer ver especificamente que, para o desenvolvimento da educação, para o ensino moral, para a conservação de valores, as modificações introduzidas em 1960, de maneira alguma, diferem das de 1940, e que essas duas grandes mudanças, didática e comportamental, nem beneficiam uma educação igualitária nem favorecem uma evolução econômica; que ambas são, de igual forma, prejudiciais e degradantes.


Mas viria imediatamente a objeção de que a modificação dos livros didáticos unificou o ensino (em 1940), enquanto proporcionou evolução econômica (em 1960) e mão de obra qualificada.


A isso respondo desde já que não havia necessidade de regulamentação dos livros didáticos, que as línguas clássicas², ensinadas nas salas de aula, principalmente, garantiam o desenvolvimento cognitivo e que vinham obtendo ótimos resultados, e também que o fracasso do método construtivista de Paulo Freire é evidente. Também a educação clássica, antes de ser “extinta”, não construiu as mentes mais brilhantes da história?

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¹ Theodore W. Schultz in O Valor Econômico da Educação, 1963,Fundação FORD (Ford Foundation Grants). O autor faz duras críticas ao sistema educacional da época e teve grande influência na decisão de implantar o Inglês como a segunda língua em detrimento das línguas clássicas (Latim e Grego).

² faz referência ao Latim e ao Grego, que foram tirados da sala de aula durante a mudança de 1960.


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