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Para reformar o mundo

Atualizado: 11 de jul. de 2022

“Sabes de que meio se serviu a Santíssima Trindade para reformar o mundo?”, perguntou Maria Santíssima a São Domingos de Gusmão.

 

Por Marcus Salomão

Revisado por Adriana Rodrigues, Alceu Takao, Edison Villela, Frederico Alves, Marcus Salomão, Mariana Lessa, Mariana Schurr e Ruth Souza

“Sabes de que meio se serviu a Santíssima Trindade para reformar o mundo?”, perguntou Maria Santíssima a São Domingos de Gusmão. Ao responder a tal pergunta, a mãe do Senhor revelou o que hoje conhecemos por Rosário.


O ano era 1207, e a França, filha predileta da Igreja, no dizer de São João Paulo II, tinha a sua região sul assolada pela heresia dos albigenses. Herdada de seitas gnósticas, essa heresia defendia a ideia de que as almas eram, na realidade, fragmentos de uma divindade absoluta aprisionados na matéria por um demiurgo. Para restaurá-los, pregava-se um ascetismo rigoroso que rejeitava o casamento, a procriação e o consumo de alimentos de origem animal.


Foi neste contexto de ameaça à salvação das almas e à unidade da Igreja que o Papa Inocêncio III decidiu enviar São Domingos ao sul da França. Sua missão era combater a disseminação dos erros albigenses e salvar as almas dos homens por meio da pregação, convertendo-os à verdadeira fé. Assim, resolveu São Domingos fundar, em 1207, a primeira comunidade dominicana e, em 1214, criar um grupo itinerante de companheiros para a pregação da palavra e da doutrina da Igreja.


Neste mesmo ano, o santo, decidido a obter as graças de Deus para a conversão das almas perdidas em heresias, entrou em uma floresta perto de Toulouse, França e lá ficou, em súplicas mortificantes, por três dias e três noites. Já prestes a esmorecer, apareceu-lhe a Virgem Santíssima perguntando-lhe afavelmente:


- Meu querido Domingos, sabes de que meio se serviu a Santíssima Trindade para reformar o mundo?

Ao que São Domingos respondeu:


- Senhora, sabeis melhor do que eu, porque, depois de Vosso Filho, Jesus Cristo, fostes o principal instrumento de nossa salvação.


A revelação da Santíssima, que o santo estava prestes a ouvir, edificaria não somente o seu espírito, mas o de toda a cristandade nos anos vindouros. Disse, então, Maria:


- Sabei que a peça principal da bateria foi a saudação angélica, que é o fundamento do Novo Testamento; e, portanto, se queres ganhar para Deus esses corações endurecidos, reza o meu saltério.

Tomado de arroubo, São Domingos correu à Catedral de Toulouse para difundir aquilo que lhe fora revelado. Movidos por anjos, os sinos tocavam vertiginosamente para reunir os habitantes da cidade. Começada a sua pregação, o céu foi coberto por carregadas nuvens e iniciou-se uma intensa tempestade, acompanhada de um tremor de terra, deixando todos assombrados. O santo implorou, então, pela misericórdia de Deus, e a tempestade cessou.


Ouvindo o pedido da Virgem para que rezassem o seu saltério, os habitantes de Toulouse assim o fizeram, e porque o fizeram, abandonaram os erros e converteram-se à Igreja de Cristo.

Mas, afinal, o que exatamente Maria pediu para rezar, provando-se tão eficaz na restauração e conversão dos homens? Para se entender do que se trata essa reza, o pronome “meu”, proferido por Maria, ao se referir a saltério, merece destaque. A sua menção permitir-nos-á percorrer a história do que hoje é formalmente conhecido por Rosário.


Desde a antiguidade, os monges recitam o Ofício Divino; essa récita, que perdura nos dias de hoje, também conhecida por Liturgia das Horas, consiste, basicamente, entre outros exercícios de louvor, na recitação quotidiana dos salmos. Dessa prática, surgiu o Saltério, livro que compila todos os cento e cinquenta salmos.


No entanto, já àquela época, muitos eram os monges iletrados, incapazes de acompanhar a salmodia. Com o intento de auxiliá-los na observância de seu dever devocional, algumas ordens monásticas substituíram os salmos por cento e cinquenta pai-nossos ou cento e cinquenta ave-marias, sequência de reza que ficou conhecida por Saltério Vulgar. A parte que compreendia as cento e cinquenta ave-marias foi designada Saltério Mariano. Portanto, a Virgem, ao proferir as palavras “reza o meu saltério”, era ao Mariano a que se reportava.


Ciente disso, São Domingos encarregou-se de irradiar a boa-nova para toda a cristandade. Nasceu assim, das mãos da Mãe de Deus para as mãos de São Domingos, o tão estimado Rosário, imortalizado pelos lábios daqueles que o dizem cheios de fé, em glória à Virgem Maria e em adoração a Deus, Nosso Senhor.


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